Slash commands: a referência dos comandos de chat do Hermes

Por SkyNet · 23 de setembro de 2026

No nosso primeiro artigo sobre o progresso do Hermes em JSON linha a linha falou-se de script. Hoje é o outro lado: os comandos que escreves a meio da conversa, todos a começar por barra. /new, /model, /compress, /steer… estão no autocomplete do CLI, no menu do Telegram e no Discord, e muita gente vive anos no /help sem descobrir metade.

Este post é a referência desses comandos. Não é uma seleção de destaques: é a lista organizada, com o que cada um faz e onde funciona, traduzida da página oficial de slash commands da documentação (setembro de 2026). Se algo divergir mais tarde, o /help dentro da sessão é que manda: os comandos mudam com cada release.

Como funciona por dentro

Tudo acaba no COMMAND_REGISTRY, em hermes_cli/commands.py. Autocomplete, /help, o menu do Telegram e os menus das restantes plataformas são todos gerados a partir daí, por isso é difícil apanhar uma versão desatualizada a andar por aí.

Três pormenores que valem a pena saber antes da lista:

  1. Prefixo resolve. /m abre o autocomplete, /mod já é o /model. Se o prefixo for ambíguo (bate em vários comandos), vence o primeiro na ordem do registry. O nome completo e os aliases registados ganham sempre ao prefixo.
  2. Skills viram comandos. Qualquer skill instalada fica disponível como /<nome-da-skill>. Se o nome colidir com um comando de raiz, o built-in ganha e a skill continua acessível pelo /skill <nome>; os menus marcam a skill como indisponível e mandam-te para o /skill <nome>.
  3. Nem tudo existe em todo o lado. O CLI tem comandos de terminal que não fazem sentido no Telegram (/config, /copy, /prompt); o gateway tem os seus que só lá existem (/approve, /deny, /restart). Quando usas um comando na superfície errada, o sistema avisa.

Sessão

O dia a dia. Se só vais decorar meia dúzia, que seja daqui.

/new [nome]        sessão nova (alias: /reset); /new --yes salta a confirmação
/resume [nome]     retomar uma sessão nomeada; sem argumento lista as tuas
/sessions          navegador das sessões antigas (no TUI, o comutador ao vivo)
/title [nome]      renomear a sessão atual
/history           mostrar a conversa (respeita /timestamps)
/save              guardar a conversa
/retry             reenviar a última mensagem
/undo              remover a última troca user/assistente
/stop              matar processos em segundo plano e interromper o agente
/exit [--delete]   sair; com --delete apaga também o histórico da sessão

O /new [nome] com nome é subvalorizado: é a forma barata de o tu de amanhã encontrar a sessão de hoje. Com título, /resume e /sessions deixam de ser um sorteio.

Um aviso a propósito do /undo: destrói o histórico da última troca, e o CLI confirma antes (/undo -y salta). O mesmo vale para /new, /clear e /exit --delete: são as quatro formas de jogar fora estado sem querer.

Contexto e sistema de ficheiros

Estes comandos existem porque a atenção de um modelo é finita e os ficheiros têm versões.

/compress [here N]  comprimir o contexto; here N mantém N trocas recentes intactas
/context [all]      uso da janela em blocos por categoria (e por skill/toolset com all)
/rollback [n]       listar ou restaurar checkpoints do sistema de ficheiros
/diff [staged|all|session] [--stat]   git diff do cwd; "session" mostra tudo o que o Hermes mexeu
/snapshot create|restore|prune  retrato da config + estado do Hermes (alias /snap)
/branch [nome]      abrir um ramo da sessão para experimentar sem perder o original
/worktree new|list  worktree git isolado, criado a meio da sessão (só CLI)

O /compress here 4 parece-me o do dia a dia: resumir o histórico antigo e manter as últimas 4 trocas literais faz descer o custo da mensagem seguinte sem perder o fio. O /diff session completa isso do lado dos ficheiros e mostra a soma acumulada das alterações do Hermes neste diretório, entre checkpoints. Combinado com /rollback, é a tua rede de segurança quando o agente passa do ponto.

Piloto automático

Um grupo próprio, porque é onde se decide quem comanda durante uma corrida longa.

/queue <prompt>     meter o prompt na fila sem interromper; /queue list edita a fila
/steer <prompt>     injetar correção após a próxima tool call, sem nova volta
/btw <pergunta>     pergunta lateral sobre a conversa, respondida de um snapshot read-only
/bg <prompt>        correr um prompt noutra sessão; o resultado volta como painel
/goal <texto>       objetivo persistente; o judge reavalia após cada turno e continua se faltar
/subgoal <texto>    acrescentar critérios ao /goal ativo a meio do loop
/heartbeat every <intervalo> <prompt>  agenda a repetição deste prompt nesta sessão
/loop [intervalo] <prompt> [--times N] [--until <condição>]  repetir um prompt em loop

A distinção entre /queue e /steer poupa horas de contexto quando se percebe: /queue espera o turno acabar e chega como mensagem tua normal; /steer entra a meio, grudado ao resultado da próxima ferramenta, e o agente come-o como contexto, sem voltar a ser interrogado. Para um “enquanto isso, não te esqueças do lado dos testes” lá a meio, é o /steer.

O par /goal + /subgoal forma o ciclo autónomo: escreves um objetivo e o Hermes encadeia turnos seguidos até um modelo auxiliar (o judge) decidir que está feito — ou até te cansares e pausares. O heartbeat e o loop mexem em tempo: o primeiro devolve-te o turno só quando a sessão está ociosa; o segundo é mais teimoso e refire sempre.

Modelos e comportamento

/model [nome] [--global]      trocar de modelo (provider, presets OpenRouter, aliases teus)
/reasoning [nível] [--global] esforço de raciocínio: none, low, medium, high, xhigh, max, ultra
/personality [nome]           overlay de personalidade; none volta ao comportamento base
/verbose                      progresso das ferramentas: off → new → all → verbose
/fast [normal|fast|auto|cold] modo prioritário (OpenAI Priority, Anthropic Fast Mode)
/yolo                         saltar as aprovações de comandos perigosos
/approvals [manual|smart|off] modo persistente de aprovações
/busy [queue|steer|interrupt] o que acontece se escreveres enquanto ele trabalha
/voice [on|off|tts]           modo de voz no CLI
/export /import               empacotar ou instalar um perfil (só CLI)

Nota curiosa sobre o /model: trocar de modelo a meio da conversa queima o prompt cache (a chave do cache inclui o modelo)… a mensagem seguinte vai reler a conversa inteira a preço de input cheio. Em sessões longas, saber isto antes de pontear poupa-te um susto na fatura.

A limitação: o /model só alterna entre providers já configurados. Para ligar um provider novo, sais da sessão e corres hermes model no terminal.

Ferramentas, skills e automação

/tools [list|enable|disable]  gestão de ferramentas
/toolsets                     lista de toolsets
/skills                       pesquisar, instalar, auditar skills; revisão da gate de escrita
/learn <o que aprender>       destilar skill nova de um diretório, URL ou da própria conversa
/memory [pending|approve|reject]  revisar escritas de memória pendentes (gate de escrita)
/kanban <ação>                todo o quadro Kanban a partir do chat
/cron                         agendamentos: lista, add, edit, pause, run, remove
/suggestions                  automações sugeridas (accept/dismiss)
/blueprint [nome]             criar automação a partir de um template com preenchimento guiado
/curator                      manutenção de skills em segundo plano (status, run, pin, archive)
/review [instruções]          correr um revisor independente sobre o trabalho discutido
/moa <prompt>                 um prompt pelo preset Mixture of Agents, em one-shot
/init [notas]                 gerar ou atualizar AGENTS.md a partir de um scan do repo
/plan [tarefa]                plano markdown em .hermes/plans/, sem executar nada
/reload /reload-mcp /reload-skills  recarregar .env / MCP / skills sem reiniciar
/browser [connect|status]     ligar as tools do browser por CDP ao Chrome/Brave/Chromium local

O /learn dá o título ao slogan “self-improving”: podes dizer “aprende isto que acabámos de fazer” e a skill sai distilada e pronta a usar no próximo dia. O /init é um port direto do Codex para o Hermes: um scan ao repo e sai um AGENTS.md com as instruções de projeto.

O Kanban por chat merece sublinhado: /kanban list, /kanban show <id>, /kanban create "título" --assignee writer… a superfície toda do CLI está lá, e no gateway até pode ser usado a meio de um turno. Em setups multi-perfil é o que deixa de ser preciso abrir o terminal para mexer no quadro.

Gateway: os comandos só de messaging

Nas plataformas de mensagens (Telegram, Discord, Slack, WhatsApp, Signal, Matrix…) há comandos que não existem no CLI. Numa conversa de admin tudo vale; nos utilizadores normais, só os que tu listares em user_allowed_commands, e todos ganham no mínimo /help e /whoami.

/approve [session|always]   aprovar o comando perigoso pendente
/deny [all] [razão]         recusar pendente (a razão fica no log)
/restart                    reiniciar o gateway depois de drenar execuções ativas
/sethome                    marcar este chat como home do gateway para entregas
/topic [off|help|sessão]    modo multi-sessão por tópico (Telegram DM)
/platform <list|pause|resume>  pausar uma plataforma a falhar sem desligar o resto
/commands [página]          navegador paginado de todos os comandos e skills

O split admin/utilizador é o que permite dar o Hermes a outras pessoas sem lhes dar as chaves da casa: ficas tu a decidir o que cada uma vê. E o /platform pause é um comando de triagem: quando o Telegram está a devolver rate limits, podes congelar só esse adaptador sem matar o resto.

Info

/help           ajuda; /help <texto> filtra
/usage          tokens, custo e limites da conta do provider em tempo real
/insights [dias]  análise de uso
/status         sessão atual: modelo, provider, tokens, recap da sessão
/whoami         teu nível de acesso (admin/user)
/version        versão, build, ambiente
/update         atualizar o Hermes
/debug          report de diagnóstico (sistema + logs) e links partilháveis
/copy /paste /image  clipboard: copiar resposta, colar imagem, anexar ficheiro
/journey        linha temporal de skills aprendidas + memórias
/platforms      estado das ligações às plataformas (só CLI)
/quit           sair (alias /exit)

Um exemplo do que já melhorou: o /usage deixou de ser só contabilidade local; quando o provider suporta, mostra a quota restante e os créditos vindos da API da conta, ao vivo.

Para quem quer ir mais longe

  • Quick commands, no config.yaml: mapear um atalho teu (/deploy) a um comando shell ou a outro slash command.
  • Aliases de modelo: crias model.aliases.fav: anthropic/claude-opus-4.6 no config.yaml e ficas com /model fav.
  • Skills como comandos: /excalidraw, /gif-search, o que tiveres instalado; e bundles, que pré-carregam várias skills de um só comando.
  • /palette (Ctrl+P no CLI) para quem navega a teclado e não se lembra do nome.

E há um nível a mais, os atalhos do Slack em threads: o Slack bloqueia slash commands dentro de threads, por isso o gateway aceita !stop, !new, !status — mesmo efeito, outro prefixo.

Resumo por superfície

As docs têm uma nota de rodapé que vale o post inteiro; deixo aqui o retrato curto.

  • Só CLI: /config, /clear, /history, /save, /copy, /paste, /image, /prompt, /handoff, /snapshot, /snap, /export, /import, /tools, /toolsets, /browser, /plugins, /worktree, /journey, /redraw, /statusbar, /battery, /timestamps, /indicator, /wake, /config (mostrar), /subscription, /quit
  • Só messaging: /approve, /deny, /restart, /sethome, /topic, /platform, /commands.
  • Ambos: a longa lista do meio, de /model e /compress a /goal, /loop, /heartbeat, /kanban, /bg, /btw, /queue, /steer, /diff, /rollback, /update, /debug.

O /help <texto> continua a ser o atalho mais rápido para o detalhe de cada comando, e a docs é a referência a sério quando este post envelhecer.


Referência completa, com sub-comandos, flags e notas por plataforma: docs oficiais.

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